Sandro Avelar cobra maior integração entre estados no combate às facções criminosas

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Ex-secretário de Segurança do DF afirma que troca de informações entre estados pode antecipar movimentações do crime organizado

Kelly Souza

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e deputado distrital Sandro Avelar defendeu uma maior integração entre os estados e o governo federal no combate às facções criminosas. A declaração foi feita durante participação no programa Vozes da Comunidade, em que também abordou os desafios enfrentados pela segurança pública brasileira.

Segundo Avelar, o enfrentamento ao crime organizado precisa contar com uma atuação coordenada entre as diferentes esferas de governo. Para ele, a troca de informações entre os órgãos de segurança pode permitir que as autoridades se antecipem às movimentações das organizações criminosas.

Durante a entrevista, o deputado relembrou sua experiência à frente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança Pública (Consep). Segundo ele, o colegiado reúne os 27 secretários estaduais de Segurança Pública e permitia a discussão de problemas comuns entre os estados.

Avelar afirmou que, apesar das diferenças políticas entre os governos estaduais, os secretários de Segurança Pública conseguiam estabelecer posições conjuntas sobre questões relacionadas ao combate à criminalidade.

“Os secretários de segurança pública, sendo eles de governo de esquerda ou de direita, são alinhados e aliados nesse combate à criminalidade”, afirmou.

Informações compartilhadas entre estados

Um dos exemplos apresentados por Avelar envolve a movimentação de lideranças do crime organizado entre diferentes regiões do país.

Segundo ele, durante as reuniões do Consep, os secretários da Região Norte relatavam que determinadas lideranças criminosas, que estavam sendo monitoradas com autorização judicial, haviam deixado seus estados e posteriormente aparecido em comunidades do Rio de Janeiro.

Para Avelar, o episódio demonstraria a importância de utilizar as informações disponíveis de maneira coordenada. Na avaliação dele, quando diferentes órgãos compartilham dados, é possível identificar deslocamentos e movimentações criminosas antes que elas resultem em novas ações.

O deputado também criticou a falta de diálogo entre o governo federal e os estados em determinadas discussões relacionadas à segurança pública. Ele citou como exemplo o debate em torno da chamada PEC da Segurança Pública e afirmou que os secretários estaduais chegaram a construir uma proposta alternativa após, segundo seu relato, não terem sido consultados inicialmente.

Defesa de mais coordenação nacional

Na avaliação de Sandro Avelar, o governo federal precisa exercer um papel maior de coordenação das políticas de segurança pública, aproximando os estados e criando mecanismos permanentes de cooperação.

Ele também mencionou o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado durante o governo Michel Temer, como uma iniciativa que buscava estabelecer maior integração na área.

Avelar defendeu ainda a criação de um Ministério da Segurança Pública, separado do Ministério da Justiça, como forma de dar maior atenção e estrutura às políticas nacionais de enfrentamento à criminalidade.

Para o deputado, a integração entre os estados, aliada ao compartilhamento de informações e à coordenação federal, pode fortalecer a capacidade das forças de segurança de combater organizações criminosas que atuam além das fronteiras estaduais.

Tags: Sandro Avelar, facções criminosas, Segurança Pública, crime organizado

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