Vorcaro e sócio negociaram compra do Correio Braziliense
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Mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam que acordo chegou a ser assinado e previa influência editorial sobre o jornal
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam que ele e o empresário Flávio Carneiro negociaram a compra do Correio Braziliense em meio à crise financeira enfrentada pelo grupo Diários Associados, controlador do jornal. As conversas indicam que o acordo chegou a ser assinado em agosto de 2025, mas a operação não foi concluída.
Em uma das mensagens, enviada em 10 de abril de 2025, Carneiro informou a Vorcaro que o grupo havia assumido o editorial do jornal desde o início daquele mês. A conversa também mencionava um modelo de negócio elaborado para utilizar precatórios federais na tentativa de reduzir dívidas tributárias.
Os precatórios são valores que o poder público deve pagar após uma decisão judicial definitiva. Em determinadas condições legais, esses créditos podem ser utilizados para compensar débitos com a União.
Dívida bilionária e negociação
Segundo as informações divulgadas, o Correio Braziliense acumulava uma dívida de R$ 589,4 milhões com a União, enquanto o total devido pelo grupo Diários Associados chegava a R$ 1,4 bilhão.
Em agosto de 2025, Carneiro comunicou a Vorcaro que o contrato de compra do jornal havia sido assinado. Ao ser questionado sobre o destinatário do acordo, afirmou que o documento estava destinado ao veículo de comunicação que os dois empresários planejavam montar.
As mensagens também apontam que os negociadores discutiam o uso do jornal para divulgar conteúdos de interesse do banqueiro e de seus negócios. Em conversas anteriores, Vorcaro chegou a reclamar da ausência de reportagens favoráveis ao Banco Master e pediu que o sócio buscasse mudanças na cobertura jornalística.
Negociação não foi concluída
A tentativa de aquisição não avançou até a conclusão. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após rejeitar a operação de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
O caso amplia as discussões sobre a relação entre interesses empresariais, controle de veículos de comunicação e independência editorial. As mensagens indicam que a negociação envolvia não apenas a aquisição de um jornal tradicional da capital federal, mas também a possibilidade de influência sobre o conteúdo publicado.



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