Sala das emoções gera denúncia e investigação policial
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Espaço criado com proposta pedagógica virou alvo de críticas após relatos de crianças e pais sobre possíveis danos emocionais
Um espaço conhecido como “sala das emoções”, criado em uma escola em 2024 com a justificativa de acolher alunos em momentos de choro ou desregulação emocional, acabou se tornando alvo de investigação policial após denúncia registrada por uma mãe de aluno.
Segundo o relato de Paula Cristina, mãe de uma criança que frequentava a unidade, o ambiente era pequeno, com janelas cobertas por película escura e iluminação limitada. De acordo com ela, os alunos eram levados ao local sempre que choravam. Após vivenciar essa rotina, o filho teria desenvolvido medo de ficar sozinho e reações intensas ao escuro, o que motivou a família a procurar a polícia.
A denúncia foi registrada mesmo após o menino relatar inicialmente uma experiência positiva à mãe. Com o passar do tempo, no entanto, surgiram comportamentos que, segundo ela, indicavam sofrimento emocional associado ao uso do espaço.
Em depoimento, a diretora da escola afirmou que a sala fazia parte de um projeto pedagógico chamado “o coração que sente e fala”, aprovado pela comunidade escolar. A proposta, segundo a gestão, era oferecer acolhimento temporário a estudantes e funcionários em momentos de crise emocional, com atenção especial a alunos autistas.
Ainda conforme a diretora, as crianças permaneciam no local por períodos entre cinco e dez minutos, sempre acompanhadas por um professor, e os responsáveis teriam sido informados sobre a existência da sala em reunião no início do ano letivo. Pais ouvidos durante a apuração, porém, negam ter recebido qualquer aviso prévio sobre o funcionamento do espaço.
Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil do Distrito Federal apontou que as responsáveis pela escola extrapolaram os limites do poder pedagógico. O relatório afirma que houve exposição de crianças a risco à saúde emocional, caracterizando abuso de meios de correção no contexto educacional.
O caso reacende o debate sobre os limites entre práticas pedagógicas, acolhimento emocional e a proteção integral de crianças no ambiente escolar.
Escola Classe 03 da Estrutural — Foto: Reprodução
Tags: educação, infância, investigação, direitos da criança


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