Autismo não é palavra para descrever algo “ruim …
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Como mãe atípica, vejo com preocupação o uso cada vez mais frequente do termo “autista” como ofensa entre adolescentes dentro do ambiente escolar
Hoje minha filha, estudante do 6º ano de um colégio cívico-militar, chegou em casa profundamente magoada após presenciar uma situação que, para muitos, pode parecer apenas uma brincadeira, mas que para mim representa algo muito mais sério. Uma colega utilizou o autismo de forma pejorativa, em uma frase que ainda ecoa na minha cabeça: “Pelo menos eu não sou autista”.
Infelizmente, essa não é a primeira vez que vejo ou ouço relatos semelhantes. Desde o ano passado, tenho percebido um comportamento preocupante entre adolescentes: o uso da palavra “autista” para diminuir, ridicularizar ou inferiorizar colegas. O que mais me assusta é a naturalidade com que isso vem acontecendo, muitas vezes sem qualquer reflexão sobre o peso e o impacto dessas palavras.
Sou mãe de um adolescente autista nível 2 de suporte. Vivo diariamente os desafios, as incertezas, as conquistas e as batalhas que fazem parte da realidade de milhares de famílias atípicas. Sei o quanto é difícil enfrentar preconceitos, buscar inclusão e garantir direitos básicos para nossos filhos. Por isso, ouvir o autismo sendo tratado como algo negativo, vergonhoso ou indesejável é doloroso.
O autismo não é um defeito. Não é uma ofensa. Não é motivo de piada. É uma condição do neurodesenvolvimento que faz parte da vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Quando uma criança ou adolescente utiliza o termo como insulto, isso revela não apenas desinformação, mas também a permanência de preconceitos que a sociedade deveria estar combatendo.
A escola tem papel fundamental nesse processo. Mais do que ensinar matemática, português ou ciências, ela também é responsável por formar cidadãos conscientes, respeitosos e preparados para conviver com as diferenças. Situações como essa precisam ser tratadas com seriedade e transformadas em oportunidades de aprendizado e conscientização.
Escrevo este texto não apenas como mãe atípica, mas como cidadã. Porque nenhuma criança autista deve crescer ouvindo que sua condição é sinônimo de algo ruim. E nenhuma família deveria sentir a dor de ver uma luta diária ser transformada em motivo de deboche.
Respeito, inclusão e empatia precisam deixar de ser apenas palavras bonitas e se tornar prática dentro e fora das salas de aula.


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