Mães atípicas cobram ações urgentes e denunciam falta de apoio às famílias

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Durante encontro promovido pela Chefia Executiva de Integração e Inovação Social, representantes de instituições e mães atípicas reivindicaram medidas imediatas para saúde, assistência social, educação e apoio jurídico

Kelly Souza

O Encontro de Mães Atípicas promovido pela Chefia Executiva de Integração e Inovação Social reuniu representantes do poder público distrital, associações e famílias para debater os desafios enfrentados por pessoas com deficiência e seus cuidadores. O evento contou com a participação das secretarias de Saúde, Desenvolvimento Social e da Mulher.

Entre as participantes esteve Leide Araújo, mãe, policial civil aposentada, palestrante, neuropsicopedagoga e presidente do Instituto PAS. Mãe de Pedro, autista nível 3 e não verbal, ela utilizou o espaço para cobrar respostas imediatas das autoridades diante das dificuldades enfrentadas diariamente pelas famílias atípicas.

Durante sua fala, Leide destacou que o autismo não espera por calendários políticos nem por planejamentos de longo prazo. Segundo ela, mães que recebem o diagnóstico de um filho precisam de acolhimento, terapias e suporte imediato. A presidente do instituto também chamou atenção para a desigualdade na distribuição de recursos públicos destinados às entidades que atuam diretamente no atendimento das famílias.

De acordo com Leide, o Instituto PAS recebeu apenas uma emenda parlamentar de R$ 200 mil ao longo de seus 16 anos de funcionamento. Atualmente, a instituição atende dezenas de crianças e realiza acolhimento de famílias, apoio psicopedagógico, orientação social e atividades voltadas para mães e mulheres autistas.

Outro ponto levantado foi a situação dos autistas adultos, especialmente aqueles que enfrentam isolamento social, dificuldades de inserção no mercado de trabalho e problemas relacionados à saúde mental. Para ela, o tema precisa ser tratado com mais urgência pela administração pública do Distrito Federal.

Além da cobrança por mais investimentos, também foi questionada a existência de suporte jurídico para mães atípicas em situação de vulnerabilidade. Segundo relatos apresentados durante o encontro, a Secretaria da Mulher informou não possuir atualmente uma estrutura específica para oferecer esse atendimento às famílias nessa condição.

A resposta gerou preocupação entre as participantes, que destacaram a necessidade de orientação jurídica em questões relacionadas a benefícios, direitos da pessoa com deficiência, guarda, inclusão escolar e acesso a serviços públicos.

Durante o debate, foi mencionado que grande parte da expectativa das famílias está concentrada no Centro de Referência do Autista (CRETEA) e no projeto da futura Casa da Mãe Atípica. No entanto, mães presentes ressaltaram que a Casa da Mãe Atípica ainda não saiu do papel, enquanto as demandas das famílias continuam crescendo diariamente.

O encontro foi marcado por relatos emocionantes, reivindicações e pedidos para que a gestão distrital avance da fase de planejamento para a implementação de ações concretas capazes de atender quem vive a realidade do autismo todos os dias.

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