Taiwan destaca peso na tecnologia e pede espaço na ONU
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Representante no Brasil, Benito Liao cita semicondutores, inteligência artificial e importância do Estreito de Taiwan ao defender maior participação internacional
Kelly Souza
Às vésperas do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Taiwan busca chamar atenção para sua importância na economia e na cadeia tecnológica mundial. O representante de Taiwan no Brasil, Benito Liao, destacou o papel da ilha na produção de semicondutores e no desenvolvimento da inteligência artificial ao defender maior participação taiwanesa no sistema internacional.
Segundo Liao, a relevância de Taiwan ultrapassa as fronteiras da Ásia devido à presença da ilha na cadeia global de tecnologia e à importância do Estreito de Taiwan para o transporte marítimo.
“Taiwan é um importante ator global na fabricação de semicondutores e desempenha um papel crucial no desenvolvimento da indústria de inteligência artificial e na cadeia de suprimentos de tecnologia”, afirmou.
O representante também defendeu a manutenção da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan, região marcada por tensões entre Pequim e Taipé.
Embora Brasil e Taiwan estejam geograficamente distantes, Liao afirmou que questões envolvendo a região podem produzir impactos econômicos internacionais e defendeu maior atenção dos brasileiros ao tema.
Assembleia Geral
A manifestação ocorre no período de abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. A sessão começou em 8 de setembro e o Debate Geral, que reúne líderes dos Estados-membros em Nova York, será realizado entre 22 e 28 de setembro.
O tema definido para a sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Liao utilizou o próprio tema para questionar a ausência de Taiwan da organização e de suas agências especializadas.
“A participação na ONU é um direito de todos os habitantes da aldeia global, não um privilégio de poucos”, declarou.
O representante defendeu que Taiwan tenha participação considerada significativa em organismos internacionais e argumentou que a experiência taiwanesa em tecnologia, desenvolvimento sustentável e outras áreas poderia contribuir para discussões globais.
Resolução 2758
Outro ponto levantado por Benito Liao foi a Resolução 2758, aprovada pela Assembleia Geral em 25 de outubro de 1971. O documento restaurou os direitos da República Popular da China nas Nações Unidas e reconheceu seus representantes como os representantes da China na organização.
Liao contesta a interpretação de Pequim sobre o alcance da resolução e sustenta que o texto não estabelece que Taiwan seja parte da República Popular da China nem concede ao governo chinês o direito de representar Taiwan.
A questão permanece objeto de divergência política. O governo da China sustenta o princípio de “uma só China” e considera Taiwan parte de seu território.
Para Benito Liao, a atual Assembleia Geral representa uma oportunidade para recolocar a participação taiwanesa no debate internacional.
“Ninguém deve ser excluído”, afirmou.
Tags: Taiwan, Benito Liao, Semicondutores, ONU, Inteligência Artificial


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